terça-feira, 17 de outubro de 2017

!



a música está no máximo,
e a voz estridente,
o corpo tremulo ,
a dança de uma só chama ,
O sagrado feminino ,
acontece.

Causo fendas nas paredes,
o meu quarto torna-se
o infernal palco
de todos os meus pecados.
Preciso sentir todas as vibrações
do sentimento,
a incendiarem -me a pele
e a foderem-me o juizo.

Preciso de quebrar,
e perder todo o controle.
A minha natureza,
excessivamente terrena,
perde-se.
E a sobrenatural,
Sorri de malícia.
Ascende.
E aqui revelo,
todo o extraordinário que contenho.

E sou a festa,
o tesão,
a procissão
o segredo da alma mais recôndita,
o sussurro,
todos os teus pesadelos.
O  vinho que te escorre
pelos lábios  ,
a habilidade dos teus dedos,
a profecia,
O medo.

E a música
rebenta-me os ouvidos,
mas canto tão mais alto,
até não existir mais
voz.
E o grito,
Ser orgasmo da alma ,
 até o desejo acabar.
Sou a mulher,
dos teus sonhos ?
Não.

Sou a mulher
que vais invadir
todas as tuas horas,
mudar todos os teus dias,
atirar -te ao impossível,
caminho da paz,
no mundo dos malditos.
A tatuagem que não consegues
apagar.
Sou toda a tua memória.
Desta,
outra ,
e próxima vida.

Sou o eco da eternidade.
O peso,
Do para sempre.


Sarah Moustafa

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

.




Criaste-me.
e eu desfiz-te
numa cama de papel ,
nos quietos espaços
entre palavras,
no trespassar da
mão invisível,
rasgou-se pele,
peito aberto,
ferida milenar,
e agora tudo o que fazes,
é sangrar,

eu escrevo com a tinta
que me ensinaste,
a danação.
era apenas aluna,
e tu um mestre.
talvez tenhas confiado
demasiado,
e agora cresci ,
e não sabes o que fazer ,
com o que fizeste de mim.

Continuas a trazer-me sangue,
não queres que me cale,
não queres que me esqueça,
" Ama-me porque eu não sei quem mais o poderia fazer "
Violas o meu espirito, entras nos meus sonhos.
Encaixo-me em ti como se fosses a única pessoa
 que alguma vez tivesse existido.

Quando a realidade me desperta,
escrevo o teu nome e sinto raiva
e choro as tuas lágrimas.
e quase que me estragas,
a oportunidade dos dias,
mas então ...

eu vejo-te,
moribundo,
escondido atrás do novelo
de tantas mentiras,
vejo como encolhes,
mediante a sombra
do que criaste.
Como desapareces
na poça do teu envelhecimento ,
Subestimaste- me ,

Eu nunca te ultrapassei.
Todo aquele tempo,
Eu já estava ao teu nível.

Sarah Moustafa



sábado, 14 de outubro de 2017

...





O futuro encontra-me,
no derradeiro momento,
na ponte que atravesso ,
no olhar que devolvo
entre um sorriso tímido,
e o medo da entrega ,
desponta luz
veste-me de brilho ,
a fada madrinha ajuda,
diz que sou bela ,
estou pronta?
Estou mesmo pronta ?
O relógio
com vida própria
quer me saltar das mãos,
como um coração
desenfreado ,
exigindo uma decisão.
Com o tempo não se brinca,
as horas são preciosas,
o amor pode estar espera,
a morte á espreita
em qualquer lugar,
calço os sapatos,
mas dou uns passos lentos,
está quase.
tudo estremece dentro de mim.
olha para o relógio!
Lá estão do outro lado,
um véu.
e dois olhos indecifráveis,
colados a mim.
O que posso fazer?
Dá a mão ao desconhecido,
vê o que pode mudar,
o que pode mudar apenas,

num segundo.

Sarah Moustafa

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

...


tenho saudades de cair em chuva,
tantas gotas,
facetas companheiras
e de acabar em terra,
como uma pena delicada
caricia na tua pele.
e ser semente
fertilizar o solo,
abraçar o mundo,
esse mundo,
que se esqueceu de sentir,
quero entrar na pele,
como água
finda no deserto,
e dar de beber
o néctar da fonte
que flui,
nascente tácita
o corpo ,
e matar toda a sede,
preciso de me desfragmentar,
e num diluvio,
voltar a integrar -me.
Numa poça,
num riacho,
no oceano
de sereias aprisionadas,
na cascata mais erma
onde te banhas,
preciso Ser
presença em todo o lado.
Por favor vem,
estou com os olhos no céu,
é tela vazia,
por favor, chove
e pinta-me
em aguarela ,
com quantas cores
inusitadas
explodirem de mim.
Chama-me de poesia.

Torna-me numa obra-prima.

Sarah Moustafa

terça-feira, 10 de outubro de 2017

1+1 = ?!"...,; ."








- Voltaste-me as costas, foste embora... deixaste-me.
- Traíste -me, nunca me convidaste a entrar, mentiste -me.
- Nunca me deste provas suficientes , nunca me deste O sinal, que era para te levar a sério.
- Era eu e quantas mais? Sentada á mesa  com os olhos postos m ti, tao hipnotizada, não via que os teus não estavam  fixos no mesmo ponto. Continuaste a olhar em volta, continuaste a procurar por algo mais. Eu não era cardápio que te enchesse as medidas.
- O que é que esperavas que eu fizesse? Que parasse a minha vida por tua causa?
- Eu estava ali , mesmo á tua frente e tu nunca me viste .
- E tu nunca me levaste a sério, tornaste-me no produto dos teus medos. Estavas a minha frente, mas não me escolheste, não tomaste uma decisão.
- Então tu tomaste - a por mim ?
- Ias deixar -me de qualquer das maneiras, não te ia dar esse prazer.
- Fico feliz por saber que o que importa aqui é o teu ego vencer. E seres dono da razão.
- Queres que me importe com o quê? Os teus sentimentos? Porque te dá jeito agora? Eu manipulo tanto com o cérebro como tu com o coração. 
- Funciona?
- Esta conversa acaba aqui.
- Acaba, mas responde, funciona?
- Eu nem sequer te consigo ver a frente, o que achas?
- Não é manipulação , esta sou eu. A minha voz. Ouviste-a e não gostaste do que dizia.
- A minha cabeça, é o meu abrigo, o meu porto seguro. entraste lá , dormiste lá, comeste lá,  e  no fim aborreceu-te. Apanhas-te outro avião.
- Não . tu expulsaste -me.
- Vai-te embora agora .
- Vou ...mas já agora, não teria deixado.
Adeus.

( - Apaixonei-me pela tua voz . És a música , a banda sonora da minha vida. Não sei como dizê-lo. Apenas...não sei. E não consigo admiti-lo. Desculpa...)








Sarah Moustafa

domingo, 8 de outubro de 2017

.



Quando me apercebi da verdade,
a presença sedutora do teu fantasma,
a certeza da tua morte,
e de um coração que parou
eu não cheguei tempo de o reanimar,
era tão tarde. 

Quando me apercebi ,
de que a mentira ,também, sou eu
porque os teus olhos estavam fechados,
e a tua alma entregue a outro lado,
quis trazer-te á força e segurar-te
nos tentáculos da minha doença.
era tão tarde. 

Quando a realidade me esbofeteou ,
todo o meu mundo parou,
a promessa de outro futuro eclipsou-se ,
quis desistir de mim,
ninguém é de ninguém,
mas fizeste me sentir que sim
deitados numa ultima memória ,
na praia extensa dos nossos segredos,
e nos lábios sujos de areia,
calamos
um último beijo.

Já era tarde aí,
tão tarde,
Mas o Sol
brilhava tão mais quente,
que qualquer outro dia,
e uma paixão tão intensa ,
núcleo de uma estrela de fogo,
não acaba assim.

Quando todas as luzes se apagaram,
e o teu corpo sumiu em cinzas,
das labaredas que não mais vi,
percebi que podia sim,
sem mistério,
que simplesmente,
podia ,
era posivel,
certo ,
deixares de gostar de mim.

E eu aceitei,
tarde,
muito tarde,
a simples e cruel resposta,
que me torna humana,
emaranhada no nó da rejeição,
o complexo caminho do perdão ,
os passos longos
na  realidade de uma paixão solitária.
O inferno é moradia,
e o amor uma fogueira onde todos ardemos.

E fica sempre tarde.
tão tarde,
sempre.

Sarah Moustafa



quinta-feira, 5 de outubro de 2017

( )



Enquanto fazíamos amor e eu dava a luz a tantas estrelas, fenômenos raros, espetáculo da natureza, o teu corpo imerso, afundava-se cada vez mais, não querendo parar de procurar abrigo, um lugar onde deixares a tua alma  .
Nesta estranha fusão tanta vida escondida saiu de mim.
Maduros frutos do meu ventre, cada um com uma linguagem sobrenatural, cada um com uma estrondosa e gritante mensagem para libertar no mundo.
Têm todos personalidade muito própria, causam rebuliço e desconforto por onde passam.
Declaram que foram gerados através do êxtase de dois corpos, entregues a uma viagem qualquer ao principio da criação de todo o universo.
De repente uma força abrupta desencaixou-te de mim, fundiu-se a luz e deixaste-me o que não me pertence.
Terá sido castigo, abusamos do nosso poder?
Eu nunca quis ser mãe .
Não sei como viver com a minha e a tua alma ao mesmo tempo.
Vem resgata-la, volta a viver .
Todos estes rebentos estão á espera do nosso regresso a casa.
Estão a organizar um motim . Já não posso com o barulho deles.
Mas têm razão,

Não temos sido bons pais.