domingo, 20 de agosto de 2017

quem é quem .





a tua fotografia,
um puzzle
espelhado
das minhas dúvidas
existenciais
Who the fuck are you?
Dizem que és bondoso ,
refuto que não podes ser,
 de maneira alguma.
Excepto ,
Talvez,
quando os teus olhos estranhos
estáticos,
caem sobre a imensidão dos meus ,
e as muralhas trespassam-se ,
e um portal abre-se ,
ao tamanho da maior verdade,
universal,
como um beijo tresloucado,
de que tento fugir,
Até me capturar
não sei bem em que tempo,
ou espaço.
E de repente,
 fico com esta dúvida cruel,
silenciada.

You're the same as me.


Sarah Moustafa

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Apagador



Queria que o tempo nos apagasse ,
e trouxesse o futuro,
nas mãos que desconhece.
Ele viria mudar as horas
e sacrificar os minutos,
abdicar de todos os segundos ,
que a nossa ausência oferece.
Ele viria salvar-nos,
de
Todo um vazio que ainda nos preenche.




Sarah Moustafa



quinta-feira, 13 de julho de 2017

Momentos a sós



releio-me nas páginas do tempo,
amparo me nas memórias,
que a lua esconde,
nas mais cerrada das noites.
perco-me nas misteriosas formas
que as nuvens me revelam.
Contam-me uma história qualquer,
sobre os acasos dos desencontros,
o sentido de tantos corações partidos ,
as almas penadas que vagueiam
como eu,
numa noite qualquer.
lembrando os olhos de um romance
com um final triste.
e uma lágrima rebelde
cai e mancha o meu vestido ,
espero pelo nascer do sol,
e a perfeita ilusão de que não está lá
mais uma gota ,
menos uma pétala ,
de uma flor tão bonita
e
incompleta .


domingo, 18 de junho de 2017

Fazer malas



São grandiosas as descobertas
que o mundo novo me traz
Preparo-me para ele.
Ainda não sei como partir,
Carregada desta bagagem a que chamei amor .
Mas preparo-me...
Compro tudo que me mude
e ao mesmo tempo devolva a quem fui ,
Tenho medo dos novos olhos que me irão adorar .
Mas é esta a tela em branco ,
terra prometida ,
um vislumbre ,
através do véu
que me resta.

O mundo dá voltas e deixei me ser globo nas tuas mãos.

Mas não me acompanhaste na viagem ,
E um globo não tem propósito parado.





Sarah Moustafa

quinta-feira, 15 de junho de 2017

SOS




O mar e as suas ondulantes promessas,
envolvendo-me nas idas e voltas ,
Maré cheia, Maré vazia
ajuda.
A lágrima salgada cai do milagres da existência
beija-me o lábio, e com a ponta da língua
guardo-a para dentro
ajuda.
A música ...teclas do mais melodioso piano,
abrem portas seladas nos cantos mais obscuros
do meu coração ,
ajuda .
Sou um diário ou uma mulher?
Capaz ou necessitada?
As memórias são a única impressão digital.
que nos deixo.
Uma tela de cinema que nunca pára
se estrear ,
deixo a vida escolher o fim.
Mas seguro-me ao inicio.
Ajuda.
Escrevo outra carta ,
e ás vezes faltam palavras
ficam as letras sem sentido
Arranjadas sem nexo,
Senão aquele de me libertar.
Quem diria que dói tanto
escrever como não o fazer ?
Aí .
Nada ...Nada,
Ajuda.





Sarah Moustafa


terça-feira, 13 de junho de 2017

A menina não dança ?




Houve o tempo ,
dos teus olhos pregados aos meus ,
um longo e delicioso dialogo 
no mais inocente silêncio.
E eu era uma menina linda,
e rodopiava no eixo das minhas 
coloridas saias
e acreditava que a perfeição
estava ali.
Na minha dança
E no Homem que me olhava .
E que me quereria continuar a olhar ...
ainda que andássemos sempre a roda 
e tropeçássemos nos pés um do outro ,
Até o fim do tempo
Onde já não existiriam olhos
e eu perdoaria já não estarem ,
Declamaria a mais bela poesia
e falaria de ti
e como eles nunca se desviaram ,
como nunca hesitaram .
Mas a menina já não dança,
cresce demasiado devagar ,
fechada dentro de uma ampulheta
que lhe trocou todas as voltas.

Agora não se sabe vestir,
e os pés permanecem ancorados em terra.

A realidade é essa.




Sarah Moustafa






sábado, 10 de junho de 2017

Arritmias #47



Dever ser mesmo chato.
Procurar-me 
incessantemente
em todos 
(...)
os lugares
e todos serem os errados.
não desafogares
a fome da alma 
Planta carnívora , 
devoradora ,
espanta - espiritos
hum...
gula dos píncaros.

Deve ser mesmo chato ,

escolheres entre a lei seca e a sopa dos pobres.









Sarah Moustafa